COMO PREPARAR UM CRONOGRAMA DE OBRAS

 Comecei este artigo porque recentemente um colega me pediu uma ajuda para preparar um "Cronograma Físico-Financeiro".

Eu tive a mesma dificuldade há muitos anos, nos primeiros anos da minha jornada profissional, num período que não havia o Google, e nem computadores pessoais. Pedi ajuda a um professor, e do jeito que ele falava parecia tão simples. Não achei simples, na época, mas, de fato é simples. Porém bem demorado, tentei colocar isso numa sequência de parágrafos. Vamos ver se fica bem claro. Mas se pretende preparar um "cronograma de obras", e está sem tempo nem comece.


1º passo: Lista de Serviços da Obra

Você deve ter a lista de todos os serviços da sua obra, com as suas respectivas quantidades. Isso não quer dizer que o seu cronograma terá tantas linhas quanto a lista total de serviços. Mas você deverá estudar e analisar todos. Deverá ter um cuidado quanto a forma de apresentação do serviço. Nos orçamentos que nós apresentamos no nosso relatório do CUSTO EXPRESSO, nós utilizamos um agrupamento de serviços num único item para melhorar a nossa apresentação e por outro lado não prejudica em nada a visão do “orçamento”, por exemplo:

Se você conhece o nosso orçamento, você sabe que o serviço, “Viga de Baldrame” é uma composição da escavação; do leito de brita; das formas (fabricação e montagem); ferragem (corte/dobra e montagem); concretagem e desforma. 

Você pode encurtar caminho, se possui um bom domínio de andamento de obras, basta pegar os subgrupos de serviços e definir as barras de forma empírica. É uma prática bastante comum, mas tem uma utilidade bastante limitada. 


2º passo: Coeficientes dos tempos de execução

Ter em mãos os coeficientes de desempenho de tempo de cada serviço. Você tem isso nas composições de preços unitários dos serviços. As composições demonstram o tempo de execução gasto numa unidade de medida de um serviço, em geral elas compõem todos os profissionais e auxiliares de um determinado serviço, você deverá ser capaz de entender o tempo de realização do serviço. Em geral, o fator determinante, é tempo do “Profissional”, e caso o tempo do “Auxiliar” seja maior do que o do “Profissional”, provavelmente, você deverá entender que serão envolvidos dois ou mais “Auxiliares”, numa mesma jornada. O que estou tentando dizer?

Exemplo:


Nesta composição vocês podem perceber que o tempo de execução de: 1 m² = 1,69h.

Porque é o tempo necessário que o Pedreiro utiliza neste serviço, e o “Auxiliar”, tem um tempo ocioso. Desta forma, seria possível utilizar 2 (dois) Pedreiros na Obra e seriam produzidos 2m² no mesmo tempo de 1,69h. Esta decisão fará toda a diferença no seu cronograma. Vai depender das “frentes de trabalho”, evidentemente que 2 profissionais não poderão trabalhar ao mesmo tempo na mesma frente, neste caso da alvenaria. Então vai depender da configuração da sua obra.

Outro detalhe que pode ser observado nesta “CPU”, é o item: “COMPOSIÇÃO 87369”, que é um item que contém mais um tempo para o trabalho, ou seja, o Pedreiro que trabalha na elevação da alvenaria, só poderá iniciar após a preparação de uma primeira “massada”. E na sequência, o auxiliar irá preparando novas massadas, enquanto houver estoque.

Em geral, obras de residências unifamiliares, tem características particulares, por exemplo, tem uma única frente de trabalho, em virtude da sua disposição física, e do desembolso acumulado.

Embora seja uma jornada mais demorada, este conhecimento pode lhe ajudar muito na hora de trabalhar com softwares de planejamentos.


3º passo: Início efetivo dos Serviços

Você deverá ter em mente o primeiro dia de cada serviço. Ou seja, desconsiderando, serviços de tapumes, barracos, instalações provisórias, drenagens, você deverá começar o Serviço de “Marcação da sua obra”, gabarito/nivelamento/marcação e piqueteamento dos pontos de carga. Isto significa que no primeiro dia de obra, você NÃO poderá iniciar as estacas, escavações, sapatas, etc. E no segundo dia, provavelmente, também não. No exemplo do nosso orçamento, você vai gastar 3 (três) dias, fazendo a marcação da obra.

Exemplo:


Em função da quantidade e do rendimento, o tempo necessário para o serviço, é 1,71 dia, e sabemos que não será iniciado o novo serviço, no mesmo dia. É cultural e antiprodutivo iniciar um novo serviço no final de um dia. No exemplo, inclusive, definimos uma reserva de 1 dia para finalização da “marcação”. Isto pode variar em função do tipo de Fundações a serem executadas, mas no caso do nosso estudo as Estacas estão iniciando no 4º dia de obra.

Esta é mais uma vantagem de preparar o todo o planejamento de forma lógica. Desta forma você terá um domínio mais efetivo sobre o andamento da obra. E por isso, muitas vezes, que as obras atrasam.


4º passo: Calendário da Obra

Definir o calendário da obra. Semanas de 5 dias úteis? De 6 dias? De 7 dias?

Da mesma forma, a jornada diária: 8hs/dia? 9? 10?....

No estudo que estamos apresentando, definimos um calendário de 5 dias úteis com jornada de 8hs/dia.


5º passo: Extensão das Barras de Tempos

Definir os tempos (extensão das barras) de cada serviço. Geralmente, se define esses tempos levando em consideração a ordem cronológica dos serviços, mas nada impede que seja feito isoladamente e depois ajustados. Atualmente, existem diversos softwares que ajudam nesta tarefa, mas sem os passos anteriores, os softwares, não lhe ajudarão.


6º passo: Início dos Serviços e Pré-Requisitos

Definir as datas de início de cada serviço. Deverá levar em consideração os pré-requisitos de cada início, e de tal maneira que um novo serviço, sempre inicie no dia seguinte, independente da hora de conclusão da tarefa anterior. Nas grandes obras, essas particularidades impactam menos no dia a dia das obras, mas nas pequenas obras, o impacto é significativo. Outro fator importante é saber organizar os serviços, mentalmente, de forma que possa entender de fato que é importante para o início de uma atividade, e neste sentido você vai chegar no “Caminho Crítico da Obra”.

Por exemplo:

Numa obra de uma residência térrea, você só poderá iniciar as “Alvenarias de Tijolos”, depois que as Vigas de Baldrame estiverem, concretadas, curadas e impermeabilizadas. Porém, nada lhe impedirá de estar preparando outros serviços, no caso, ferragens por exemplo, são pré-requisitos para as vergas ou vigas sobre alvenarias e podem iniciar logo no primeiro dia de obra, claro que isto não é muito comum, nem nas grandes obras e nem nas pequenas. Nas grandes obras, haverá a necessidade de construção de bancadas para ferreiros, estoque, etc. E nas pequenas obras, não é muito comum a abundância de mão de obra. O mais comum é que os “Ferreiros” e os “Carpinteiros”, executem as duas tarefas. Então é natural que que os “Profissionais” estejam gastando o seu tempo em tarefas, corte e dobra de ferragens, construção de formas e de concretagem. E só, então disponíveis para novos processos.

De acordo com este comentário, e conforme já dissemos. O serviço de “Vigas de Baldrame” nos orçamentos do CUSTO EXPRESSO, representam a execução das valas de fundação, o leito de brita, preparação de armadura, formas, concretagem e desforma.

Por exemplo:

Resumindo: 


Desta forma, me parece mais clara a apresentação. Aqui vocês podem ver o mesmo serviço, incialmente agrupado, com uma demanda de 4 dias e depois explodido em pequenos outros serviços e que demonstram numa primeira visão, a necessidade de 8 dias. Mas que a forma que devem acontecer no canteiro de obras é mais ou menos essa. Ou ainda, podemos ter essa visão numa apresentação mais compacta.

Exemplo:



Dois serviços com características semelhantes e que devem acontecer mais ou menos com esta configuração, que não prejudica a apresentação.


7º passo: Cronograma Físico-Financeiro

Concatenar os valores do orçamento com as barras de andamento da obra. E aí você terá o Cronograma Físico-Financeiro da sua obra.

Isto significa apenas que é a representação do custo de cada serviço em cada momento do tempo.

Esta configuração tem uma utilidade para definir o planejamento físico da obra e estabelecer uma curva da evolução do patrimônio do proprietário. Mas se você quiser saber o cronograma de desembolso, aí deverá analisar, depois do cronograma físico, o custo dos materiais e da mão de obra, e definir o tipo de aquisição e critérios de pagamentos de cada um. Mas aí vai demandar de outro artigo.


Comentários